Archive for junho \23\UTC 2010

Twitter, nunca nos abandone, faz favor!

23/06/2010

Já salvamos o Irã, derrubamos o Sarney, reestabelecemos a democracia em Honduras, defenestramos o ditador Kim Jong-Il, libertamos sequestrados das Farc e livramos presos políticos da greve de fome em Cuba.

Calamos a boca do Galvão e a do Chàvez. Emudecemos os acordos nucleares e os facínoras, assassinamos a violência e demos voz aos mudos que nunca souberam o que é Internet.

Condenamos deuses, crenças, intolerâncias e babacas. Salvamos Itaipu de um novo colapso. Defendemos nossos filhos de curtir a família Restart. Colorimos a homofobia.

Destruímos comunistas. Escritores comunistas. Apresentamos o meu gosto e o mau gosto. Demos de bandeja soluções rápidas para consertar o mundo, parar vazamentos no Golfo do México, ter sucesso na vida e a escalação infalível na Copa.

Mostramos com quantos paus se faz uma canoa e com quantos se anuncia uma enchente. Colocamos atrás das grades os Nardoni. Todos os que existem. Levamos a cabo marcas consagradas. Provocamos a queda nas ações da Jabulani. Libertamos a imprensa inteira daquela tarja que não deixa ninguém falar.

Matamos a Fernanda Montenegro (2 vezes) e o Dinho Ouro Preto (menos do que gostaríamos).

Demos RT em propaganda de xampu, bijuteria e caixas de cerveja – mas esse fora um desvio de rota.

E os bebês-foca?! Cristo! Nunca mais uma sequer vai cobrir alguma Paris Hilton!

Fizemos tudo isso, com isso “#”, sem tirar a bunda da cadeira. Agora imagina o que NÃO faríamos impunes, correndo como loucos, piando por aí?

A ironia, fosse um troço maciço, deixaria muito nego com hematoma.

Anúncios

Brasileiros do Brasil

14/06/2010

– Personagens com profissões indefinidas e que deixam a calcinha aparecer sem querer 365 dias por ano: Nana Gouveia, Narcisa Tamborindeguy e Bruno De Luca.

– Pessoal que eu gostaria de ter sido amigão na época de escola só para garantir: todos os Gracie (faixa preta), incluindo a ministra do Supremo, Ellen.

– Baldwins brasileiros em diferentes segmentos artísticos: famílias Anysio, Lima e Barreto.

– Vítimas da criatividade da Baby Consuelo sem direito a apelação: Sarah Sheeva, Zabelê, Nana Shara, Pedro Baby, Krishna e Kriptus Baby.

– Galera que sempre era convidada para os mesmos eventos porque ninguém sabia a diferença: Dorival Caymmi, Jorge Amado e Braguinha.

– Grandes albinos que tocam serrote, chaleira e cuíca performática: Hermeto Pascoal e Sivuca.

– Pessoas que não inventaram a roda, mas participaram do primeiro recall: João Havelange, Ivo Pitanguy e Oscar Niemeyer.

– Políticos que existem pela cota de folclore e assinam na carteira de trabalho “candidato”: Eymael, Zé Maria, Levy Fidelix e Doutora Havanir. (Enéas – in memorian).

Atente para os próximos updates. Participe do “Brasileiros do Brasil” e envie a sua colaboração. Você ganha um parabéns personalizado.

Visita guiada

01/06/2010

Guias altamente treinados da Motumbo-Bengalelê-Safari esperam por você para mais esse espetáculo do futebol mundial: a Copa do Mundo na África.

E não vem com essa de reclamar das bolas.

(agradecimentos: tio Nestor, pelo toque).

Desmistificando lendas e folclores de maneira rápida e indolor

01/06/2010

– O saci-pererê é angolano e perdeu a perna numa mina.

– Geraldinho, rapaz da classe média carioca, viciado em cocaína. Ficou devendo para traficantes, entregou metade da quadrilha e ainda iludiu a irmã de um deles. Assim nasceu a história da mula-sem-cabeça.

– Boto Cor-de-rosa era um gordo geek gay que adorava Crepúsculo e passava as tardes de sábado ouvindo Restart, Cine e Fresno. Nessa ordem.

– Tony Ramos antes de ser famoso era conhecido na comunidade por Lobisomen.

– Afonsinho, afrodescendente, adorava doces. Desmaiou ao ser atingido por um pote cheio de açúcar. Acordou no outro dia com a boca cheia de formiga e com o apelido “Negrinho do pastoreio” sem qualquer relação convincente.

Curupira era um travesti que, contrariando as expectativas, nunca dava pra trás.

Notas de um adolescente criminoso

01/06/2010

Sempre que passava por um mendigo, sentia indiferença. Não sabia porque estavam ali. Para quê ficavam daquele jeito, com olhos mortos, observando o dia vencendo.

Mamãe dizia que eram porquinhos que pediam moedas. Eu tinha um porquinho onde eu guardava minhas moedas. Perdi há tempos, acho que com alguma mudança.

Resolvi entregar moedas para o porquinho do mendigo que sempre via em uma calçada próxima de casa. Ele agradecia e sorria aquele sorriso apodrecido. Dei moedas a ele durante quase dois meses.

Numa tarde qualquer de fome, antes da escola, passei com um pedaço de pau pelo porquinho e quebrei ele todo. Gemendo de dor estendeu as mãos com as moedas.

Como todo bom porquinho, havia cumprido o seu papel de economizar para mim.