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Cuidado com o que você deseja

26/05/2010

Menina, moça, mulher; você que espera a vida toda pelo príncipe. Quero ver o dia que bater na sua porta aquela coisa linda do Charles.

Muitas vezes as pessoas se comportam na vida como pilotos de Fórmula Indy: andando em círculos, com pouca gente interessada em onde isso vai dar.

Falta foco, senso de ridículo e noções de prazo de validade. Tudo é efêmero, incluindo aí a ereção. A vida é curta para se gastar ouvindo um CD inteiro do Parangolé.

Argumento com prazo de validade

20/05/2010

– Como você lida com a crítica?

– Eu não aceito.

(silêncio)

– Como assim, você não aceita críticas?

– Não. Não aceito nenhum tipo de crítica.

– Por que não?

– Porque não.

(silêncio)

– O que você acha dos críticos?

– Não tenho opinião formada. Nunca me interessei por eles.

– Mas por que todo este desdém?

– Não tenho desdém. Não penso neles, como teria desdém?

– Você não acha que o senso crítico é justamente uma ponte para produção de trabalhos melhores? De obras mais pertinentes. Separar o joio do trigo.

– Se você for religioso, Deus já faz isso. Se você for ateu, você já faz isso. Se você for simplesmente idiota, alguém já faz isso.

– Você parece mau humorado e arrogante.

– Não pareço. Você é quem acha. O que para mim, portanto, não tem a menor importância.

– E se as pessoas começarem a ignorar as suas obras?

– Começam tarde. Já faço isso com elas há tempos.

– Então o porquê de criar?

– É que se eu não faço isso a minha cabeça dói.

– Já experimentou ponto cruz?

(silêncio)

– Palhaço.

Bem-vindos à Fakelândia

14/05/2010

Parece que foi Millôr Quintana quem disse que uma mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.

É verdade.

Um boato vale mais do que mil checagens. E o espaço para a retratação é inversamente proporcional ao dado à calúnia.

Dito isso, volto ao exercício de transformar algo que, falso, torna-se real.

Há alguns anos, fiz um cartaz de um suposto curandeiro que prometia absurdos. Imprimi com a ajuda de um amigo. Amassei-o para parecer que se tratava de algo achado na rua, fotografei e enviei despretensiosamente por e-mail a um grupo de conhecidos.

Isso rodou muito e até voltou a mim. Na última terça-feira (11), parou no programa desse senhor simpático:

Algum de vocês já recebeu? Tenho o original aqui. Ah, aí vai um ampliado, caso alguém queira ver – Pai Arnápio

A richarlização do futebol mundial

07/05/2010

Há algum tempo o futebol deixou de ser coisa só de macho, e nem estou falando da inclusão das mulheres na modalidade. A grande concentração de pessoas do mesmo sexo num determinado local de trabalho – dizem – acaba despertando o interesse nas, digamos, habilidades do colega. No futebol, andam se interessando pelas bolas. As três.

Saindo um pouco dos campos e caindo de pára-quedas no quartel, lembramos da história daqueles dois militares que acabaram sendo afastados do Exército por conduta homossexual. Como se isso os impossibilitassem de pegar em armas ou defender com amor à pátria dando a maior bandeira.

Voltando aos gramados, essa semana foi marcada com purpurina a marca da cal. O atacante Zlatan Ibrahimovic e o zagueiro Gerard Piqué foram pegos no flagrante na saída do treino do Barcelona, na Espanha. Estavam de mãos dadas, provalmente combinado uma partida de botão.

Isso em esportes que prezam pela virilidade, toda essa harmonia fora de uma partida, causa certa estranheza e muita provocação do time adversário.

Ibrahimovic e Piqué devem dar as costas para o preconceito e bola pra frente. Ou atrás, sei lá.

E o Ronaldo, você me pergunta. O Ronaldo Nazário só experimentou a fruta do pecado. Era banana.


Primeiros sinais de que Ibrahimovic já estava sentando no banco.

(vídeo desse post em viado por @andemart)
(outros agradecimentos: @dr3h e @melissa_costa por expressões enfiadas no texto)
(_*_)