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Não é um texto do Arnaldo Jabor

19/02/2010

A Síndrome de Diógenes se caracteriza pela compulsão de uma pessoa em guardar coisas que lhe parecem úteis. Essas coisas viram detritos, se acumulam pelos cômodos da casa, tornando um verdadeiro aglomerado de sujeira e tralhas, mas que a mente doentia não consegue se desvencilhar.

Manifesta-se particularmente em pessoas mais velhas, que acabam por se instalar numa solidão tão grande que tudo aquilo que carregam, acreditam encontrar espaço.

Da nossa maneira, somos às vezes portadores da síndrome. Acumulamos lembranças; pessoas, verdadeiros lixos; espalhados pelos cômodos da consciência. Poderíamos muito bem nos desfazer. Isso não acontece não por capricho da ciência. E sim pela condição humana de se agarrar a objetos metafóricos e a tudo que em um baú de saudade dá a impressão de eterno. Esquecidos, podres e cheios de odor vão respingando algum prazer demente quando vistos em nosso redor.

São épocas espalhadas pela sala. Amores derramados pelo quarto. Planos sobre a mesa. E sonhos dependurados na janela.

Vivemos longos períodos sem medicamentos e, de repente, eis que surge sob o criado mudo uma cartela inteira de nostalgia e doses cavalares de desejos esquecidos.

Como a Síndrome de Diógenes, é uma doença. Um estorvo de prazer que nenhuma casa merece aprisionar. Ainda mais essa tão apertada, que pulsa dentro do peito.

CAMPANHA HUAHUAHUAHUA

09/02/2010

Por uma internet com menos traduções.