Férias, quem curte?

[início da desculpa] Um relato em tópicos que já deveria ter entrado no ar, mas que a preguiça motora e a convalescença mental não permitiram a evacuação . [fim da desculpa]

– Tão certo quanto a morte é que as suas férias não deram pra nada. Não é o caso dos seus primos de 4 e 5 anos que em 2 horas ao seu lado, parecem que aproveitaram uma década. Cadê o Inmetro para controlar os decibéis desses desgraçados?

Aliás, criança é um bicho muito chato quando não domesticado. Adiante:

– Comecei meu período de folga e libertinagem da maneira mais medíocre possível: dormindo até tarde. Preparei malas e me despedi de outras. Depois de algumas operações e burocracias que aqui fica maçante mencionar, viajei.

Destino: Juazeiro, na Bahia. Por que? Não interessa.

– Piloto de avião e cirurgião, quanto mais cabelo branco, mais sossegado fico. Se bem que o comandante logo lembrou Edward Smith, aquele capitão do Titanic, o que me deixou inevitavelmente apreensivo.


Nosso co-piloto Tonhão. Depois de anos de Flight Simulator, chegou a hora e mostrar o que aprendeu.

– Graças à despressurização, crianças chatas estão a salvo de serem defenestradas dos aviões comerciais. Não sei que fascínio elas possuem em gritar. E não é por um motivo decente. É por toda e qualquer condição. Havia uma dessas próxima a minha poltrona que fazia tanto barulho quanto as turbinas do AirBus.

– Passadas algumas horas e duas conexões típicas do setor aéreo atual comecei a reparar nas pessoas que iam e vinham. Consegui identificar todos os que estavam embarcando para Fortaleza basicamente pelo formato da cabeça. Ao meu lado sentou-se uma francesa de uns 70 anos. Soube da procedência porque mencionou algo sobre Paris junto de seus “erres” arrastados. Acredito que era fajuta. Falei “garçom” e “abajour” e nem respondeu nada. Só deu um sorrisinho malicioso quando mencionei “soutien”.

– Foi uma viagem extremamente cultural: nunca li como nessas intermináveis horas até o destino. Andei tanto em ônibus e automóvel que tive de reaprender a caminhar. Pensei que Juazeiro fosse mais perto. E olha que no mapa só dava um palmo (!)

– Chegando ao semi-árido deparei-me com uma verdade insofismável: pode estar a maior seca do mundo. Você não encontra jumento magro.


Espécie ameaçada de extinção no Nordeste.

– Há algumas regiões que possuem verdadeiros depósitos de lixo a céu aberto. É a caatinga fazendo jus ao trocadilho.

– Já no destino usei todo o clichê turista fotografando e visitando o que é devido. Do bar especializado (e fechado) em derivados de bode, o Bode Esponja, ao Rio São Francisco, Petrolina e adjacências.

Lugares incríveis e produtivos que me fazem pensar que o Nordeste só precisa de mais irrigação e menos área livre para montar palanque político.


Um gole pro santo. No caso, o São Francisco.

– Tudo na Bahia tem pimenta. Das baianas às comidas. Sobre música, a proximidade com Pernambuco fez o forró prevalecer. Voltei de lá ouvindo o triângulo pé-de-serra até mais ou menos outro triângulo: o Mineiro.

– Ivete e João Gilberto nasceram em Juazeiro. Até o Carnaval deste ano foi alterado em razão do aniversário da filha ilustre. Será em maio (!). Sobre João Gilberto ninguém quis se manifestar com receio de que ele reclamasse de alguma coisa.

– Acarajé é um negócio muito bom que eu não gosto. Mas é uma questão pessoal. E outra: o “é pra já” do baiano demora uns 15 minutos. Isso aconteceu em pelos menos três lugares.


Uma passada pelos Estados Unidos.

– A volta foi uma verdadeira odisseia a bordo de um automóvel popular. Imaginem 3 mil e poucos quilômetros. É de cansar o pensamento.

– Em alguns momentos só o que se via eram morros e pedras. Nelas, escritas sobre “Cristo” e a “salvação”. Como se no Evangelho houvesse alguma menção a ficar pichando o que vissem pela frente.

Quando o homem tenta comungar com a natureza, pensa que é assim.


Zoofilia comendo solta em Minas.

Todos os anos canto pra ela: “Eu conto os dias, conto as horas pra te ver. Férias, te amo”.

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9 Respostas to “Férias, quem curte?”

  1. Renan Says:

    O que significa o “C” de “C. Grosso” naquela placa?

    Seria uma menção a alguma característica física do povo daquela região?

  2. Andie Says:

    como sempre um humor notável… orkutizando por aqui, vc ganhou uma fâ :)

  3. Franciele Says:

    Obrigada por fazer uma criança feliz!
    Tu ñ tem noção do quanto eu rio dessas Bobagens!
    Vc passou pelo Triângulo Mineiro.
    Passou por Berlândia?
    Como assim Bial?
    Pq tu retornou de carro?
    Q coisa triste!

  4. fa do tiodino Says:

    chorei de ri com esse post…..tiodino tu é foda!!!!!!!!!

  5. MrVallence Says:

    Muito bom o texto, e muito dinamico o que conta muitos pontos.
    Férias boas as suas, a unica coisa que me faz não inveja-las é que as minhas ainda não acabaram e nem estão perto de acabar.

  6. Eduardo Ribeiro Says:

    Tenho inveja de quem tem férias. As únicas vezes que tenho um sossêgo da correria do meu cotidiano é quando descolo uns 15 dias no litoral piauiense, trabalhando.

  7. ThePzr Says:

    kkkkk mas o que importa é que vc se divertiu de algum jeito…nem que fosse no C Grosso…..kkkkkk

  8. joaopitanga Says:

    Esses dias me perguntaram na agência se eu tava “de bobeira”. Falei:

    – Não, to lendo o blog do tiodino. Ele voltou de férias.

    Sensacional…abrass

  9. João Carlos Says:

    do último post até agora nunca ri tanto

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