Archive for dezembro \11\UTC 2009

Bobagem sem medida

11/12/2009

As unidades de medida estão deveras atrasadas. Se bem que este texto todo escrevi no “bloco de notas”. Mas, enfim, precisamos atualizá-las com o inabalável senso da avacalhação.

Para isso desenvolvemos métodos precários e sem qualquer embasamento técnico. Só por observação. Portanto, é bem provável que você encontre ciências juntas e misturadas; furos teóricos imperdoáveis; experimentos fracassados e gente séria – que nunca soube o que é um blog -, se revirando no túmulo.

Chega.

– Escala Niemeyer de tempo
A expectativa de vida do brasileiro depende dela. Quando Niemeyer morrer, ela baixará drasticamente. Fiquem ligados.

– Grau Sarney de corrupção.
Para toda a ação, uma reação. Nesta unidade, para cada escândalo, uma desculpa esfarrapada. Aqui há um adendo: nepotismo também pode ser medido. No entanto nunca se encontra um número exato.

– Escala de cores Michael Jackson.
Graduação única: vai do preto, branco e cinza em uma carreira.

– Senso de direção PMDB
O senso de direção PMDB sempre aponta para a direita quando a esquerda está no alto. Agora, quando a direita sai de baixo, o senso PMDB deixa a esquerda para trás. Sobretudo no Nordeste. Entenderam? Pois é.

– Unidade de medida Ana Hickman
Você pode perfeitamente medir a extensão de algo através da unidade Hickman de beleza. É notável, no entanto, que grande parte dos brasileiros nunca teve acesso a sequer 1/4 dela.

– Fator Fluminense
Os matemáticos o usam para verificar a probabilidade de milagres. Passou a ser objeto de estudos de diversos especialistas pelo mundo quando em uma situação de extrema incredulidade.
PS: foi responsável por cerca de 98% das demissões dos matemáticos no último Campeonato Brasileiro.

– Medida Suplicy de velocidade
É uma das medidas mais difíceis de se equacionar. Afinal, dura uma eternidade. Quantos Suplicys por quilômetros até chegar ao trabalho? Bem provável que até o fim deste texto você não tenha completado o percurso.

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Eu levo a piada a sério

07/12/2009

Faço aquela comédia de várzea. Com os dedos descalços no teclado chuto canelas e não paro de jogar. Nem mesmo quando o dia ou o humor escurecem.

Tenho aquela pretensão dos amadores, que é a de esperar unicamente pela próxima pelada. Meus holofotes são as precárias lâmpadas daquele campinho de terra de seus 140 caracteres de extensão.

Ganhar fortuna brincando disso; fazer parte de um grande clube da mídia; receber o “Riso de Ouro” como o melhor do ano; estar lá, entre os grandes: quem não gostaria?

Mas ser dono do próprio passe, neste instante, me soa mais atraente. Não preciso beijar nenhum escudo ou cumprimentar quaisquer cartolas. Posso entrar de carrinho fazendo a falta. Nem mesmo existe um juiz.

Mandarei ainda muitas bolas fora, mas ao menos não pensarei duas vezes na hora de arriscar uma piada do meio do campo e, quem sabe, encaçapar o ângulo da hipocrisia. Fico aqui imaginando a torcida gargalhando de emoção.

Feminismo, preconceito, intolerância, politicamente incorreto… todas as bandeiras estendidas no estádio me esperam para marcar mais um.

O senso é meu técnico. A observação é minha tática. No dia em que eu só estiver cumprindo tabela, retiro a graça de campo.

Vaia sempre haverá. Sempre terá alguém, em cada rodada, pedindo minha cabeça. Mas falarão isso para quem? Nem tenho um presidente.

Assim como entre quatro paredes, fazendo humor se pode tudo, desde que haja gozo.

Não me preocupo com os comentaristas. Os críticos sempre serão muito bons naquilo que não fazem.