Comediantes acidentais

zina

“Eu não pedi pra ser engraçado”

Daria para fazer um texto inteiro sobre o episódio “Zina” só se baseando em piadas. E é o que não tentarei fazer.

Esse personagem surgiu, como todos sabem, ao acaso. Nenhuma mente – ainda mais relacionada ao humor e a TV – seria tão brilhante a ponto de criar um ícone como esse. Zina surgiu para lembrar aquela classe solapada pelos novos stand-ups: os comediantes-acidentais.

Zé do Bar, Chico da Praça, Tonho da Pipoca. Eles são a matéria-prima sumariamente ignorada pelo grande público, que é incapaz de admitir que bordões só nascem por causa deles. De Chico Anysio a Zorra Total: todos já gozaram dali.

O improviso é a arma do brasileiro. Ela é usada para justificar faltas, fugir de credores e inventar desculpas. Zina só é o resultado de mais uma eventualidade.

Enquanto ficamos aqui tentando formular piadas derivadas de “pó”, “carreira”, “Maradona”, “Casagrande” e “Fábio Assunção”, alguém já largou algo genial no cordão de uma calçada. E o pior, sem ajuda de palavras-chave.

Irei ignorar o fato do Zina ter sido ou não coagido a tocar um processo para cima do programa do qual agora faz parte. E nem por conta disso, ter sido a primordial razão da sua contratação – Da delegacia, ele deve ter mandando um “me Salve”.

Mas já pode comemorar algumas conquistas. Foi elevado em alguns portais e veículos de comunicação, à categoria de humorista. Se é que isso queira dizer de fato alguma coisa engraçada.

Zina é mais um caso de artista (?) que ficou preso no personagem. E, pego pela polícia, teve os seus merecidos 10 decigramas de fama.

****

Rafael Ilha: outro craque

pilha

Ex-polegar. Quando você é só lembrado por coisas muito antigas, é sinal de que a decadência divide residência faz tempo.

Rafael Ilha tomou um rumo na carreira que nem meu trocadilho desta frase ousaria compreender. Começou como um rapaz promissor. Cantor afinado, talentoso, que até programa do Gugu fazia.

Namorou uma das vesgas mais gatas da TV brasileira: Cristiana Oliveira (que hoje cede o cetro merecidamente para Débora Secco).

Depois de alguns problemas que a droga não permite lembrar, se afastou do chamado caminho artístico.

Só apareceu na grande mídia em episódios lamentáveis: roubo de trocados, ingestão de pilhas e tentativas frustradas de internar dependente.

Ele mantém, ironicamente, uma clínica para drogados. Esta semana apareceu por aqui e por lá outra vez.

Experimentou chamar a atenção cortando o próprio pescoço. Internou-se nela. Fazendo um comparativo ultraequivocado, seria como dar as chaves de um jardim de infância a um pedófilo. Independente da interpretação, uma coisa é certa: o perigo de dar merda é grande.

Tratou de subornar vigias para fugir e não conseguiu. Daí tentou se cortar utilizando uma lâmpada. Até o final desta edição, continuava vivo.

Muitas pessoas procuram a luz divina. Mas pelo pouco que sei de espiritualidade, não é desse jeito que se encontra.

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4 Respostas to “Comediantes acidentais”

  1. ThePzr Says:

    Nos dois casos, acho que ninguém devia dar atenção nenhuma. Esse Zina de comediante não tem nada. Se bem que prá fazer parte do Pânico, até que se enquadra, visto ser um programa de bosta.
    O Rafael Ilha sempre que quer aparecer na tv, se corta, e tal. Enfiar um pepino no rabo ele não quer. Doido não é mesmo. E se quer mesmo se matar, se mata logo. Ficar nessas, parece ex-namorada querendo chamar a atenção. Coisa de criança mimada. Eu, sinceramente, não tenho paciência com essas coisas.
    Ah…e ótimo texto, cara….sempre perfeito!!!

  2. Alliny Rabello Says:

    Pra mim tanto o Zina quanto o Rafael são dois coitados.
    O Zina por aparecer na televisão do nada como comediante e teve que assumir essa profissão sem ter escolha, virou celebridade muito antes de aprender a falar. Pode-se dizer que é como uma criança que não tem a opção de dizer não quando a mãe a coloca no palco da Xuxa pra tentar faze-la virar famosa.
    O Rafael teve sua carreira de cigarra, só presta enquanto canta depois ninguém mais lembra do bichinho. Não satisfeito, hoje ele tenta aparecer de um jeito, diga-se de passagem um jeito covarde, na mídia. É um coitado, digno de pena, pois acha que a fama e a vida de Caras é mais importante que a vida saudavel que ele poderia levar.

    Ótimos textos, parabéns.

  3. alexandre costa Says:

    São essas mazelas que desalimentam a população intelectual (ou pelo menos mais consciente das coisas). São essas mazelas que alimentam a população que busca a futilidade como meio de diversão, achando que estão informados porque assistem ‘certos’ programas na TV. Esses caras são a decadência da sociedade e ao mesmo tempo o combustível da indústria do mal-gosto na TV.

  4. João Carlos Says:

    O Zina é o Jeremias de São Paulo, já q a TV não conseguiu o original saiu à busca desenfreada de um genérico. Acho até q é de propósito, basta ver o quanto usam de imagem das pessoas fazendo essas “coisinhas engraçadinhas” nas vinhetas. E aí todo mundo acha que pode fazer sucesso e ter um milhão de visitas nos seus blogs, videos de youtube e ter um milhão de seguidores no twitter. Todo mundo pensa que pra ser reconhecido basta ser conhecido. Fazer poesia é fácil, difícil é ser poeta.

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