Archive for setembro \30\UTC 2009

Tá rolando o maior clima

30/09/2009

Sempre fiquei matutando no que um meteorologista fala a uma pessoa quando não tem assunto: “será que chove?”. Enfim, esse não é o foco.

Peço perdão aos céus pelo trocadilho, mas o tempo tem tornado a vida por essas bandas um embaraço.

Não sei o que Santa Catarina andou alinhavando para cima de São Pedro, mas já deu pra notar que o negócio é pessoal.

Especialistas e até a Michelle Loreto concordam que o nosso clima é temperado. Acredito que no momento há um certo exagero em algum condimento.

Ventos malucos de 140km/h – tente empinar uma pipa ou comer farofa na sacada. Impraticável.

Chuvas e pedras – se você for um precavido, procure abrigo. Se for um conformista, apanhe o gelo para o uísque.

Enchentes – o pessoal do Sul está POR AQUI com elas.

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Furacão Michelle Loreto: dando um tempo.

Lembro de um passado um tanto remoto em que minha avó “benzia a tormenta” virando a posição da Bíblia e outras mais simpatias. E sempre me condenou pela piada que um dia emendei: “nona, você ainda vai morrer de causas naturais. Mas levada por um ciclone”.

Faz algum tempo que Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão sendo bombardeados pelas intempéries.

Quem tem teto de vidro, que durma com um granizo desses.

***

PLANTÃO TIO DINO

Até o fechamento deste edição, um Tsunami havia invadido as páginas de internet. Se concentrou na região da Oceania, em Samoa e Tonga, sem número preciso de vítimas.

Tremores na ilha de Sumatra matam quase uma centena – e podem, quem sabe depois de você dar um F5 nesta página, chegar aos milhares.

Na véspera, outro tremor seguido de tsunami abalou Samoa e Samoa Americana. Lugares que confesso só conhecer de Google.

É, amigos. O fim do mundo está próximo. Precavidos, peguem suas pranchas. Conformistas, aceitam um gole?

Homenagem do dia

28/09/2009

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Eike Batista. Um dos poucos que se quiser comprar o mundo, Deus assina de avalista.

Grande amigo. Aquele abraço!

Empresta uma folha de cheque? Risos!

Realidade diminuída

25/09/2009

samu

Nas terças costumo assistir àquele programa da Band, o E24. Um reality show sobre pessoas atendidas pelo Corpo de Bombeiros e o Samu na cidade mais traumática do Brasil.

Os corajosos do resgate só não salvam e curam mais pessoas porque alguns minutos antes o Pastor R.R. Soares faz isso às centenas.

O E24 é um programa bem realista, com pessoas reais, de carne e osso… Embora carne e osso nem sempre estejam no lugar que deveriam. Em algum momento da atração penso que vai entrar o Dr. House, anestesiar alguém com seu cinismo e… Viajei.

Como 101% dos críticos, também não assisto a reality shows. Embora saiba mais do que gostaria sobre eles. Afinal, estão anatomicamente incrustados em todos os portais da Internet. Viram assim um bom combustível para pautar programas vespertinos e blogs de humor. Além de atualizar a punheta da garotada, com as musas de cada edição.

Se não fosse algo que valesse a pena, já teria sido eliminado da programação, claro. Mas o voto popular os mantém na grade. E rende muito: para as emissoras, dinheiro; para quem assiste, discussão.

Discussão dessas que não levam a nada e logo vão para o esquecimento. Como acontece com os participantes do jogo.

Mas quer saber o que é reality show de verdade? Vou te dar o exemplo:

19 pessoas, longe de tudo e de todos, superam desafios e lutam para sobreviver. Família do sertão nordestino é mais uma NO LIMITE!

(…)

E pensar que tudo o que essa galera quer, é alguém que os resgate.

Vou ligar para o 192.

Novelas: um drama brasileiro

19/09/2009

Há anos vejo a mesma novela: a da TV Globo e a da minha vida para não atrasar as contas. Bem, pode sentar que este texto será comprido feito a mais recente do horário nobre.

(…)

E lá se vai a dona de casa brasileira Viver a Vida em frente a uma TV por mais uns meses. É a nossa tradição teledramatúrgica. Provocar o pensamento mediano e a trombose profunda.

O folhetim nacional é um mercado internacionalmente conhecido e respeitado. Recheado de sucessos, exportador de produtos e um quadro fixo no Casseta & Planeta.

Interferir em um costume como esse é inadmissível. Nem governos conseguem burlar tamanha resistência. Até porque suas mulheres não vivem sem os resumos.

Provavelmente se você perguntar do que se trata o capítulo, a dona Maria não sabe explicar direito. E se refere à Regina Duarte sempre como Porcina e ao Fagundes como um Berdinazzi. São mais que personagens, são carmas.

Nas ruas, atores e atrizes são injuriados quando vilões e venerados quando mocinhos. Se não pertencem a nenhuma das castas, eles viram um ser randômico, tendo seus bordões repetidos a exaustão pelos populares. Bordões estes sempre escritos de maneira forçada, para pegar. Mas que depois em entrevista o autor nega de forma veemente, dizendo que saiu, assim, ao acaso. Milagres da ficção.

Fora da tela, há o controle fanático dos colunistas de TV. Bem que com o advento do High Definition, as intenções deles também poderiam ser um pouco mais claras.

Pode escrever aí: a história é tão importante que o jornalista sempre guarda mais espaço para a nota com os números do Ibope. Evidenciam que a novela X, há X anos não tinha uma audiência tão ruim. E, ao final, volta para dizer que a novela X superou todos os recordes do horário. Tão clichê quanto o final de uma.

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Manoel Carlos: a Helena nossa de cada dia nos dai hoje


Como é feita uma novela (consultoria informal de Wolf Maya)

Gráfico:

COMEÇO – DEPENDENDO DO IBOPE FAZ SENTIDO – FIM.

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Gráfico detalhado de como a história de uma novela é conduzida

A sinopse é a única coisa que não muda em uma trama. Até mesmo porque precisa ser entregue com quase um ano de antecedência.

Capítulo: como os primeiros 15, 30 são gravados na pauleira, pouca coisa pode ser mudada se na primeira semana o povão não entender nada. Em seguida, é feita uma reunião com donas de casa que apontam coisas interessantes, como o brinco da protagonista ou então pedem para o José de Abreu colocar a camisa.

No capítulo final, independente do que aconteça com a economia muncial ou com os conflitos no Oriente Médio, há casamentos e filhos sem a ajuda da inseminação.

Flashbacks são inseridos na metade da história para realocar telespectadores com lapsos de memória. E, SEMPRE, estas cenas são acompanhadas de um efeito sonoro “SFIUUU”, borrando as laterais e saturando personagens. Pro povo entendê quié passado.

(…)

mayer

Mayer, apelidado entre os colegas de “água de bateria”: come tudo

Quando é para falar merda, o brasileiro é muito unido. É só observar por estes dias. O assunto mais comentado nas rodas da web é o ator José Mayer.

Conhecido galã já passado há tempos da primeira fervura, elevou-se a condição de “Chuck Norris” da junção carnal.

Então a partir daí você começa a imaginar a quantidade de piadas derivadas. A cada ereção dele, um nariz é quebrado (exemplo).

Se ele traçou a quantidade de gente que as piadas anunciam, é bem provável que você já tenha levado ferro antes mesmo de terminar este texto.

Se ainda não, para garantir deite de barriga pra cima.

(…)

Você notou que pulei de um assunto para o outro sem critério nenhum. Acho melhor parar por aqui. Me sinto fraco e confuso como um enredo de novela das 8.

FIM.

Morre um texto

15/09/2009

Hoje, 15 de setembro, morre mais um texto na internet brasileira. Em meio a milhões deles, irá se perder como uma boa alma que chega aos céus via uma nuvem de tags.

Este texto não é famoso, nem sequer foi assinado por engano em rodas de e-mail pelo Carlos Drummond ou o Veríssimo. Se pelo menos tivesse uma boceta ou um caralho bem inserido, daria até para passar por engano como um fragmento de memórias do Rubem Fonseca, ou, pra tentar salvar do esquecimento completo, uma masturbação mental do Jabor.

Mas não, ele escolheu o anonimato. Até por sua qualidade literária abaixo da linha da cintura.

Estaria aí talvez a explicação de nunca ter feito parte da coleção Vagalume, não ter conseguido carreira no cinema ou sequer ser o culpado do Bahuan não ter aparecido no final da novela.

Ele é mais um desses pobres deslidos. Nem para bula de remédio quiseram receitá-lo.

Por muita sorte, alguém pode dar com ele sem querer procurando por informações sobre um astro do cinema, um obituário bem mais interessante. A propósito, vide abaixo, Patrick Swayze. E olha quanto desgosto irônico: foram ressuscitar o cara só agora que morreu.

O epitáfio deste texto não poderia ser outro: PONTO FINAL.

Seção “Trending topics” (o obituário da internet moderna)

15/09/2009

Personagem de hoje: PATRICK SWAYZE.

O que fez da vida: deu combustível para piadas com o tema “ghost”. Mas sem muito critério.

Temas relacionados: Funcionário Fantasma, Poltergeist, Demi Moore, Dirty Dancing e Lambada.

Curiosidades:

– Confundi ele por muitos anos com o Kurt Russell. Outro que já morreu, mas metaforicamente.

– Em Ghost, Ashton Kutcher ainda estava no saco de seu pai. (a confirmar).

– Por pouco ele não influencia meu irmão a ser um matador de aluguel, o que fora posteriormente suprimido por um emprego como corretor de imóveis.

Patrick Swayze

Patrick, um grande defensor da causa mullet.

Descanse em paz, meu velho.

“Novos” baianos

12/09/2009

Dorival Caymmi se remexendo no túmulo:

ensaio-peixe

Pensei em fazer um jogo dos 7 erros. Mas tem muitos.

Como produzir uma polêmica sem muita projeção

11/09/2009

Primeiramente você deve fugir do básico, que é se envolver com a mulher do amigo e, ainda, escrever no carro dele: “exatamente como falaram: a mancha é na virilha”.

Para produzir uma polêmica, mesmo que escassa, você tem de ser do contra. Não importa do que estejam falando.

Pode começar agredindo alguém gratuitamente no Twitter, agora que é moda. Mas flerte com uma celebridade. Pelo menos a peleja vai ser de grife. Além de contar com reações estranhas, como a @bizonha34, que já vendeu um rim para poder ir a um show e até prepara um suicídio coletivo caso não retirem umas agressões de um vídeo-resposta do Youtube.

Antigas rixas na área musical e cinematográfica são uma boa. Solte coisas do tipo em uma comunidade rasta: “O bom do reggae é que você esquece fácil as músicas. Tanto pelo que se ouve, tanto pelo que se traga”.

Ou, quem sabe, num fórum com cinéfilos do Oriente Médio: “pra dormir, eu uso filme iraniano. Até larguei o Diazepan”.

Outra é suscitar tragédias. A DDB (jogar no Google) que o diga. Dá para utilizar de forma insipiente ferramentas como blog ou microblogs, e despejar o humor duvidoso do terceiro mundo que já vem inserido na cesta básica:

Hoje é 11 de setembro, aniversário das gêmeas. – As Olsen? – Não, as Torres.

Por fim, dar um depoimento contra o patrão. Né, Nelsinho? Nenhuma polêmica tosca passa batida.

atleta

Caster Semenya (jogar no Google): ele que também é ela. Uma polêmica que fica pior ainda na cama.

Caster Semenya (jogar no Google): ela que também é ele. Uma polêmica que fica pior ainda na cama.

Hoje não

04/09/2009

Hoje não vai ter comentário pejorativo da Preta Gil. Ou qualquer outra coisa que me pese na consciência. Também não haverá coisa alguma sobre Rubinho. Se me ocorrer algo, vou deixar passar.

Evitarei Susha,  Sasha e Sarney.  Todos esses “ésses” que estão em cena.

Recuso-me a zombar do dedo de Lula ou dos que ele pede em pinga. Nem do São Paulo e a conotação gay – ou da entrada por trás no Richarlysson.

Muito menos dos corintianos. Nem do celular que eles acabaram de me levar.

Repudiarei qualquer anedota clássica de português, loira, papagaio e padre… De argentino é facultativo.

Para a gripe suína, lavo minhas mãos. Michael Jackson? Assunto enterrado.

Vilipendiarei quem tentar fazer zombaria de apresentadores bêbados, virais de internet, labirintites e hinos nacionais.

Hoje não haverá piada rasa e pronta.

Mas também é só hoje.

Grandes cases da publicidade

02/09/2009

Um sujeito, em primeiro plano, corre em slow, carregando uma sacola de pano, branca, aparentemente recheada de produtos. Está com um celular rente ao ouvido. Fala com alguém.

Ao fundo vemos policiais correndo para pegá-lo. Mais ao fundo, o posto escrito com letras garrafais: ALFÂNDEGA.

O sujeito está desesperado.

Corta para uma camioneta que chega de supetão. Alguém, da janela, acena para o sujeito ir até ali.

Ele abre um sorriso de alívio.

A tela escurece.

Logo da Tim.

Locução:

Você, sem fronteiras.

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O comercial foi reprovado.

tim-maia