Archive for julho \29\UTC 2009

Preconceito, eu?

29/07/2009

Nego-me a falar sobre esse assunto. Então, sei lá, vou ponteá-lo. Pontear, eis uma palavra que sempre quis escrever.

Sabem o que é racismo de último grau? São negros albinos caçados por outros negros em lugares remotos da África. Com a precisão geográfica que o Google Earth me permite, na Tanzânia. Sabem o que fazem? Não é piada: “poções mágicas”.

O valor de um albino nestes rituais é alto. Precisam ser escondidos antes que feiticeiros e outros malucos queiram matá-los, arrancarem-lhes o sangue, pele, órgãos ou o que mais dê “juventude e sorte na vida”.

Hoje me preocupo com os albinos da Tanzânia. Parecem-me mais indefesos que a maioria das minorias que dizem sofrer preconceito no Brasil.

No entanto entendo toda a falação. É um terreno perigoso. E você não está pisando em ovos, está pisando em gente. Isso suscita todo o tipo de manifestação. Da que acha que é só mais uma piada boa, ruim ou de mau gosto. Até a que leva ao cerne mais severo.

Sobre o caso Gentili, o Hélio de La Peña disse que era apenas mais uma piada ruim. Mussum diria que “preto é o seu passadis”, a TV Pirata faria um quadro como aquele fantástico interpretado pelo Ney Latorraca, Diogo Vilella e a Regina Casé: “Negro, eu?” e assim vai.

O mundo ficou chato. Isso é inegável.

Ah, eu tenho preconceito com o Sarney. Mas isso é um caso para uma próxima polêmica.


PS.: este post ficará sem fotos para contemplar, dentre tantas cotas, os não-fotogênicos.

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A GRIPE A a Z

23/07/2009
Não há motivos para calma.
Vinte e dois casos e subindo. A gripe suína está com mais adesões que o Fora Sarney. O
pavor maior dessa pandemia é que em muitos casos quem diagnostica com mais precisão é o
legista.
Férias prolongadas. Abraços adiados. E até confraternizações entre fiéis na igreja, antes um
ato de Cristo, pode virar a febre do capeta.
A OMS (O Google sabe o que é isso) solta informações e novidades a conta-gotas. O ministro
tenta ter certeza das coisas, mas na dúvida, manda o único recado coerente: se sair, leva um
casaquinho.
O que eu ando pensando ou fazendo para me esquivar dela? Vamolá:
a) Os dois beijinhos no rosto ou os três pra casar na parentada nunca mais.
b) Espaços VIP, grupinhos e panelinhas eu já não frequentava. Agora mesmo que não chego
perto. Meu senso de pobreza e irrelevância diminuíram 50%.
c) Todo “atchim” não está sendo mais acompanhado da expressão “saúde!” por dúvidas óbvias.
d) Suíno eu encaro. Gente porca eu evito.
e) Dores de cabeça, mal estar e enjoos eu fico na torcida: tomara que seja ressaca.
f) Meu percentual brasileiro de preconceito argentino aumentou consideravelmente.
g) Enfim uma desculpa decente para faltar a qualquer compromisso.
h) Algo de alcance parecido, data da Idade Média. Portanto, sou um ser humano privilegiado:
estou assistindo de perto à minha primeira pandemia.
i) Passei a ler sobre práticas de vida saudáveis. Usar máscaras me pareceu a menos tediosa.
j) Michael Jackson era um homem sensato.
Bem, eu poderia completar o alfabeto, mas estou tossindo pracaralho.
Não há motivos para calma.

Vinte e dois casos e subindo. A gripe suína está com mais adesões que o #Fora Sarney. O pavor maior dessa pandemia é que em muitos casos quem diagnostica com mais precisão é o legista.

Férias prolongadas. Abraços adiados. E até confraternizações entre fiéis na igreja, antes um ato de Cristo, pode virar a febre do capeta.

A OMS (O Google sabe o que é isso) solta informações e novidades a conta-gotas. O ministro tenta ter certeza das coisas, mas na dúvida, manda o único recado coerente: se sair, leva um casaquinho.

O que eu ando pensando ou fazendo para me esquivar dela? Vamo lá:

a) Os dois beijinhos no rosto ou os três pra casar na parentada nunca mais.

b) Espaços VIP, grupinhos e panelinhas eu já não frequentava. Agora mesmo que não chego perto. Meu senso de pobreza e irrelevância diminuíram 50%.

c) Todo “atchim” não está sendo mais acompanhado da expressão “saúde!” por dúvidas óbvias.

d) Suíno eu encaro. Gente porca eu evito.

e) Dores de cabeça, mal estar e enjoos eu fico na torcida: tomara que seja ressaca.

f) Meu percentual brasileiro de preconceito argentino aumentou consideravelmente.

g) Enfim uma desculpa decente para faltar a qualquer compromisso.

h) Algo de alcance parecido, data da Idade Média. Portanto, sou um ser humano privilegiado: estou assistindo de perto à minha primeira pandemia.

i) Passei a ler sobre práticas de vida saudáveis. Usar máscaras me pareceu a menos tediosa.

j) Michael Jackson era um homem sensato.

Bem, eu poderia completar o alfabeto, mas estou tossindo pracaralho.

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Acompanhe ao vivo a transmissão da gripe.

Políticos e a Internet: sempre dá ERROR

16/07/2009
Antes de mais nada gostaria de convidar os comunistas brasileiros a passarem uma temporada com nada pago na China para saber o gosto que tem o pão que o diabo amassou.
Adiante: legislar no Brasil é uma tarefa difícil. Uma parte dos que deveriam entender de leis, fazem tantas interpretações equivocadas que é bem possível confundirem inciso com aquele dente que surge na pré-adolescência.
A última pérola foi um trambolho aprovado pela Câmara que “regulariza” a Internet para fins eleitorais. Dentre as graças, há um parágrafo que particularmente me desperta a atenção. Algo como: “É proibida a manipulação de áudio ou edição de vídeo a fim de ridicularizar candidato ou partido”.
Comentário: HAHAHAHA.
O “ridiculismo” é nato entre as excelências. Nenhum de nós teríamos a coragem de tirar essa vocação.
Flávio Dino, do PCdoB do Maranhão (opa!) é o maestro deste coro desafinado que pretende botar limites, regras e capatazes às portas das conexões.
Ainda falta a análise do Senado (opa!2). Acredito que muitos tenham netos que acessam a internet e podem explicar como funciona esse universo que está além de seus umbigos.
Para evitar a perca da minha liberdade em sacanear políticos em época de eleição, já tomei uma providência: registrei um domínio em Cuba. Espero que a legislação de lá não me puna e eu possa, enfim, exercer meu direito de botar no .cu deles.

Antes de mais nada gostaria de convidar os comunistas brasileiros a passarem uma temporada com nada pago na China para saberem o gosto que tem o pão que o diabo amassou.

Adiante: legislar no Brasil é uma tarefa difícil. Uma parte dos que deveriam entender de leis, fazem tantas interpretações equivocadas que é bem possível confundirem inciso com aquele dente que surge na juventude.

A última pérola foi um trambolho aprovado pela Câmara que “regulariza” a internet para fins eleitorais. Dentre as graças, há um parágrafo que particularmente me desperta a atenção. Algo como: “É proibida a manipulação de áudio ou edição de vídeo a fim de ridicularizar candidato ou partido”.

Comentário: HAHAHAHA.

O “ridiculismo” é nato entre as excelências. Nenhum de nós teríamos a coragem de solapar essa vocação.

Flávio Dino (não conheço), do PCdoB do Maranhão (opa!) é o maestro deste coro desafinado que pretende botar limites, regras e capatazes às portas das conexões.

Ainda falta a análise do Senado (opa!2). Acredito que muitos tenham netos que acessam a internet e podem explicar como funciona esse universo que está além de seus umbigos.

Para evitar a perca da minha liberdade em sacanear políticos em época de eleição, já tomei uma providência: registrei um domínio em Cuba. Espero que a legislação de lá não me puna e eu possa, enfim, exercer meu direito de botar no .cu deles.

comunismo

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Blog do Flávio Dino

Pequeno manual da vida. Episódio de hoje: “O que responder em trotes de sequestro”

10/07/2009
Imagine alguém ligando para você no meio da tarde, em seu celular. Você está no trabalho, com tantos problemas que mal se dá conta do que acontece ao seu redor.
– Alô! É o seguinte, estamos com o seu filho.
A falta de análise da situação faz você já disparar:
– Qual deles?
Ponto pro “trotista”. Já sabe que você tem mais de um.
– O mais velho.
– Jesus, o Otavinho!?
– Isso, o Otavinho!!
– Ah… tudo bem. Eu não tenho filhos.
Tu, tu, tu, tu…
OK, desta vez você foi mais esperto. Mas se a situação for reversa? For um senhor ou senhora de idade, ou até mesmo uma pessoa que não esteja acostumada à frieza exigida na hora de tratar com golpistas de meia-pataca?
Para isso lançamos o manual da sobrevivência de trotes de sequestro.
1º – Você atende. Na outra linha uma criança chora desesperada gritando por “pai, pai, pai”. Alguém assume o telefone e diz: “tá ouvindo esse choro?”. A primeira coisa que você deve dizer é: “Caralho! Eu já disse mil vezes que não vou mais ajudar esse povo da Legião da Boa Vontade! Tchau!. Desligue.
2º – Você atende. Na outra linha alguém diz que está com o seu esposo e irá matá-lo. O que deve fazer? Simples:
– Pode matar.
– Quê!? É claro que eu vou matar!
– Então mata.
– Eu não tô brincando porra! Eu vou tirar a vida do seu marido!
– Beleza. Porque a do seguro é eu quem tiro meubem!
Desligue.
3º – Você atende. Na outra linha alguém diz “estamos com o seu irmão!”. Diga apavoradamente estas palavras:
– Não acredito que fugiu do hospital! Vocês estão com máscaras!?
Desligue.
4º – Você atende. Na outra linha alguém diz “a sua filha está conosco”. Então comece:
– Não! Por favor, não!
– Pois é, truta… vai ter que pagar resgate.
– Eu dou o que vocês quiserem, mas não machuquem ela.
– Mano, o lance é o seguinte: é 1 milhão das verde.
– Tudo bem, onde posso entregar? Vou anotar… fala logo que tá acabando os crédit….tu,tu,tu,tu.
Milionário de pré-pago. Você acabou de engar mais um trouxe do golpe do sequestro.

Imagine alguém ligando para você no meio da tarde, em seu celular. Você está no trabalho, com tantos problemas que mal se dá conta do que acontece ao seu redor.

– Alô! É o seguinte, estamos com o seu filho.

A falta de análise da situação faz você já disparar:

– Qual deles?

Ponto pro “trotista”. Já sabe que você tem mais de um.

– O mais velho.

– Jesus, o Otavinho!?

– Isso, o Otavinho!!

– Ah… tudo bem. Eu não tenho filhos.

Tu, tu, tu, tu…

OK, desta vez você foi mais esperto. Mas se a situação for reversa? For um senhor ou senhora de idade, ou até mesmo uma pessoa que não esteja acostumada à frieza exigida na hora de tratar com golpistas de meia-pataca?

Para isso lançamos o manual da sobrevivência de trotes de sequestro.

1º – Você atende. Na outra linha uma criança chora desesperada gritando por “pai, pai, pai”. Alguém assume o telefone e diz: “tá ouvindo esse choro?”. A primeira coisa que você deve dizer é: “Caralho! Eu já disse mil vezes que não vou mais ajudar esse povo da Legião da Boa Vontade! Tchau!. Desligue.

2º – Você atende. Na outra linha alguém diz que está com o seu esposo e irá matá-lo. O que deve fazer? Simples:

– Pode matar.

– Quê!? É claro que eu vou matar!

– Então mata.

– Eu não tô brincando porra! Eu vou tirar a vida do seu marido!

– Beleza. Porque o do seguro sou eu quem tiro meubem!

Desligue.

3º – Você atende. Na outra linha alguém diz “estamos com o seu irmão!”. Diga apavoradamente estas palavras:

– Não acredito que fugiu do hospital! Vocês estão com máscaras!?

Desligue.

4º – Você atende. Na outra linha alguém diz “a sua filha está conosco”. Então comece:

– Não! Por favor, não!

– Pois é, truta… vai ter que pagar resgate.

– Eu dou o que vocês quiserem, mas não machuquem ela.

– Mano, o lance é o seguinte: é 1 milhão das verde.

– Tudo bem, onde posso entregar? Vou anotar… fala logo que tá acabando os crédit….tu,tu,tu,tu.

Milionário de pré-pago. Você acabou de engar mais um trouxa do golpe do sequestro.

telefone

Pequeno manual da vida. Episódio de hoje: “Pedir aumento”

09/07/2009
A arte é tão banalizada que já virou prefixo de expressão: “a arte de cozinhar”, “a arte de cagar sem precisar de papel”, “a arte de… Então, vamos a arte de pedir aumento. Se o maior desafio da sua carreira é pagar as contas com o que ganha, isso pode lhe ajudar.
Uma vez pedi aumento e meu patrão foi lacônico: “no momento não posso fazer isso por você”. E foi viajar a Paris. Ao invés de se comportar como um legítimo empregado que honra compromissos e as calças que veste, resolvi contra-atacar assim que ele chegou:
– Você disse que aumento era uma coisa que não podia fazer por mim, mas foi viajar a Paris!
Foi quando ele retrucou:
– Eu disse que aquilo era uma coisa que não podia fazer por você. Mas viajar a Paris eu posso fazer por mim.
Depois desse dia aprendi a ser mais eficaz. E evitar coisas do tipo, portanto:
1º – Não chegue se desculpando. É bem provável que seu patrão diga “tá desculpado” e mande você de volta aos afazeres.
2º – Não diga que sua vida é uma merda, está afundado em dívidas, sua mulher o deixou ou seu aluguel subiu. Tanta depressão só vai fazer de você um coitado e o próximo da fila de aconselhamento psicológico do RH.
3º – Não se ache o indispensável. Chegar na sala do chefe pensando que é o maior é fatal. Ele sempre vai tirar o pau pra fora e mostrar que o dele é que é.
4º – Por fim, ser curto, grosso e direto é a maneira mais indigesta, mas a que menos dá merda.
Se nada disso ajudar…
Contente-se com o que ganha, ou seu desemprego de volta.
A arte é tão banalizada que já virou prefixo de expressão: “a arte de cozinhar”, “a arte de cagar sem precisar de papel”, “a arte de…

Então, vamos a arte de pedir aumento. Se o maior desafio da sua carreira é pagar as contas com o que ganha, isso pode lhe ajudar.

Uma vez pedi aumento e meu patrão foi lacônico: “no momento não posso fazer isso por você”. E foi viajar a Paris. Ao invés de se comportar como um legítimo empregado que honra compromissos e as calças que veste, resolvi contra-atacar assim que ele chegou:

– Você disse que aumento era uma coisa que não podia fazer por mim, mas foi viajar a Paris!

Foi quando ele retrucou:

– Eu disse que aquilo era uma coisa que não podia fazer por você. Mas viajar a Paris eu posso fazer por mim.

Depois desse dia aprendi a ser mais eficaz. E evitar coisas do tipo, portanto:

1º – Não chegue se desculpando. É bem provável que seu patrão diga “tá desculpado” e mande você de volta aos afazeres.

2º – Não diga que sua vida é uma merda, está afundado em dívidas, sua mulher o deixou ou seu aluguel subiu. Tanta depressão só vai fazer de você um coitado e o próximo da fila de aconselhamento psicológico do RH.

3º – Não se ache o indispensável. Chegar na sala do chefe pensando que é o maior é fatal. Ele sempre vai tirar o pau pra fora e mostrar que o dele é que é.

4º – Por fim, ser curto, grosso e direto é a maneira mais indigesta, mas a que menos dá merda.

Se nada disso ajudar… Contente-se com o que ganha, ou seu desemprego de volta.

muricy

Muricy Ramalho, até o fechamento desta edição, encontrava-se desempregado

Curto balanço da rede

03/07/2009

Cappeletti, raviole, talharim, fettuccine… Talvez isso seja o mais próximo que uma subcelebridade consiga na mobilização de massas.

Tico Santa Cruz, Júnior Lima e Marcos Mion são o que há de pior no Senado. Inventaram uma virilização que mais pareceu um resfriado. E foram pedir dicas de cidadania para o marido da Demi Moore.

Já o Gagliasso, a maior coisa que conseguiu foi espalhar seu telefone celular com o equívoco pró-cabaço de colocá-lo numa rede gigantesca e aberta como o Twitter.

Outra coisa que andou mexendo com os brios dos twitters foi um rapaz do Rio Grande do Sul que filmou o espancamento de um cão. E colocou na rede.

“Matou a família e foi ao cinema” (1991) – “Matou o cachorro e pôs no Youtube” (2009).

É isso.

matou