A TÁTICA

Era sexta-feira e os dois estavam ali: na cama, três horas da tarde, tranqüilos. Parecia tudo bem. Só iam ficar mais um pouco deitados. Afinal, além de tudo, sexo cansa. Ele fumava e ela esfregava as mãos no lençol, satisfeita.

Mas a tarde não estaria completa se não houvesse um barulho na porta.

— Você não disse que o seu marido tinha ido viajar!?

— Foi o que ele me disse também! – disse Neima, que esfregava a cabeça e não mais o lençol.

— O que a gente faz agora!?

— Pode ser que não seja ele!

Uma voz surge do corredor:

— Neima, abre a porta, por favor…

Neima se vira para Rogenildo, o seu amante, com olhos arregalados. Ele diz:

— Esse é o seu marido. A não ser que você tenha outro amante, além de mim.

— Ai, é ele sim.

— O que eu faço?

— Ai, eu é que sei!? Se esconde no armário!

— Não, essa é velha.

— Pula da janela, são só 4 andares!

— É melhor eu me esconder no armário.

Rogenildo se encaminha até o armário, de cuecas. Pára no meio do caminho:

— Não dá.

— O que foi?

— Tenho claustrofobia.

Batidas mais firmes na porta e a voz novamente:

— Neima!

Rogenildo:

— Tenho uma idéia.

— Ai, qual!?

— Você se esconde no armário.

— E você!?

— Eu vou deitar na cama.

— Você tá louco!?

Sem que pudessem discutir mais. E sem que Neima pudesse entender a lógica da ação de Rogenildo, a porta abre. Neima então é empurrada para dentro do armário. Rogenildo, por sua vez, se joga na cama apressado. Pega do cigarro e põe-se a fumá-lo.

— Neima, eu encontrei uma cópia da chave no va…! O que é isso!?

— Como, “que isso”?

— O que você está fazendo na minha cama!?

— Hildo! O que está acontecendo com você?

— Cadê a Neima?

— Mas que Neima? Hildo, a gente não tinha combinado que nos encontraríamos aqui, já que a sua esposa tinha ido viajar?

— Como!? Você tá louco! – Diz Hildo, que começa a ouvir barulhos estranhos, vindos do armário.

— Quem tá no armário?

— Armário? O que tem o armário?

Hildo abre a porta do armário e se depara com Neima, seminua.

— Neima?

— Hildo!

— Hildo! – fala Rogenildo, tentando outra tática — Hildo, quem é essa mulher no armário? Quero explicações agora!

— Ma-mas…o que está acontecendo aqui!?

— Hildo, você estava me traindo com ela?

Hildo fica parado, perplexo, sem reação. Não sabe o que dizer diante do inusitado. Fica em silêncio por alguns instantes. Será que havia perdido a memória e realmente tinha um caso com o homem que estava deitado em sua cama?, ou estava sendo alvo de uma armação?

— O que você faz dentro do armário, Neima?

— Eu?

— Hildo, e então? Quem é essa mulher?

— Ora, quem é essa mulher! Essa mulher é minha esposa!

— Você estava me traindo com sua própria esposa!?

— Calem a boca os dois! — Hildo tira um revólver de dentro do paletó — Quem é esse cara, Neima!? Você estava deitada com ele!?

— Hildo, eu posso explicar…

— Desculpa Neima, não deu certo!…

— Entendi tudo. Estavam querendo me confundir. Sim, é isso. Mas o meu revólver não se confunde!

— Hildo não faça isso!

— É! Ouça sua esposa!

— Levanta da cama!

Rogenildo levanta. Hildo aponta o revólver para a sua cabeça. Neima olha a cena assustada. Rogenildo:

— Neima?

— Que foi!?

— (…) Quantos andares você disse que tinha mesmo?

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Uma resposta to “A TÁTICA”

  1. alexandre Says:

    Cara….muito bom, virei fã!!!!!

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