Archive for maio \28\UTC 2009

Peter Davies e o elefante – lição de vida

28/05/2009

 

Em 1986, Peter Davies estava de férias no Kenia depois de se graduar na Northwestern University. Em uma caminhada ele cruzou com um jovem elefante que estava com uma pata levantada.
O elefante parecia muito estressado, então Peter se aproximou muito cuidadosamente. Ele ficou de joelhos, examinou a pata do elefante e encontrou um grande pedaço de madeira enfiado. O mais cuidadosa e gentilmente possível Peter removeu com a sua faca o pedaço de madeira e o elefante cuidadosamente colocou sua pata no chão.
O elefante virou para encarar o homem com grande curiosidade no seu rosto e o encarou por tensos e longos momentos. Peter ficou congelado pensando que seria pisoteado.
Depois de um certo tempo o elefante fez um barulho bem alto com sua tromba, virou e foi embora.
Peter nunca esqueceu o elefante e tudo o que aconteceu naquele dia.
20 anos depois, Peter estava passando pelo Zoológico de Chicago com seu filho adolescente. Quando eles se aproximaram da jaula do elefante, uma das criaturas se virou e caminhou para um local próximo onde Peter e seu filho Cameron estavam.
O grande elefante encarou Peter e levantou sua pata do chão e a baixou, ele repetiu varias vezes emitindo sons altos enquanto encarava o homem.
Relembrando do encontro em 1986 Peter ficou pensando se aquele era o mesmo elefante. Peter reuniu toda sua coragem, escalou a grade e entrou na jaula. Ele andou diretamente até o elefante e o encarou.
O elefante emitiu outro som alto, enrolou sua tromba na perna de Peter e o jogou contra a parede matando-o. Provavelmente não era a mesma porra de elefante!
Esse e-mail é dedicado a todos os que mandam aquelas porcarias de histórias melosas e cheias de viadagens.

Em 1986, Peter Davies estava de férias no Kenia depois de se graduar na Northwestern University. Em uma caminhada ele cruzou com um jovem elefante que estava com uma pata levantada.

O elefante parecia muito estressado, então Peter se aproximou muito cuidadosamente. Ele ficou de joelhos, examinou a pata do elefante e encontrou um grande pedaço de madeira enfiado. O mais cuidadosa e gentilmente possível Peter removeu com a sua faca o pedaço de madeira e o elefante cuidadosamente colocou sua pata no chão.

O elefante virou para encarar o homem com grande curiosidade no seu rosto e o encarou por tensos e longos momentos. Peter ficou congelado pensando que seria pisoteado.

Depois de um certo tempo o elefante fez um barulho bem alto com sua tromba, virou e foi embora.

Peter nunca esqueceu o elefante e tudo o que aconteceu naquele dia.

20 anos depois, Peter estava passando pelo Zoológico de Chicago com seu filho adolescente. Quando eles se aproximaram da jaula do elefante, uma das criaturas se virou e caminhou para um local próximo onde Peter e seu filho Cameron estavam.

O grande elefante encarou Peter e levantou sua pata do chão e a baixou, ele repetiu varias vezes emitindo sons altos enquanto encarava o homem.

Relembrando do encontro em 1986 Peter ficou pensando se aquele era o mesmo elefante. Peter reuniu toda sua coragem, escalou a grade e entrou na jaula. Ele andou diretamente até o elefante e o encarou.

O elefante emitiu outro som alto, enrolou sua tromba na perna de Peter e o jogou contra a parede matando-o. Provavelmente não era a mesma porra de elefante!

Esse e-mail é dedicado a todos os que mandam aquelas porcarias de histórias melosas e cheias de viadagens.

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A TÁTICA

28/05/2009

Era sexta-feira e os dois estavam ali: na cama, três horas da tarde, tranqüilos. Parecia tudo bem. Só iam ficar mais um pouco deitados. Afinal, além de tudo, sexo cansa. Ele fumava e ela esfregava as mãos no lençol, satisfeita.

Mas a tarde não estaria completa se não houvesse um barulho na porta.

— Você não disse que o seu marido tinha ido viajar!?

— Foi o que ele me disse também! – disse Neima, que esfregava a cabeça e não mais o lençol.

— O que a gente faz agora!?

— Pode ser que não seja ele!

Uma voz surge do corredor:

— Neima, abre a porta, por favor…

Neima se vira para Rogenildo, o seu amante, com olhos arregalados. Ele diz:

— Esse é o seu marido. A não ser que você tenha outro amante, além de mim.

— Ai, é ele sim.

— O que eu faço?

— Ai, eu é que sei!? Se esconde no armário!

— Não, essa é velha.

— Pula da janela, são só 4 andares!

— É melhor eu me esconder no armário.

Rogenildo se encaminha até o armário, de cuecas. Pára no meio do caminho:

— Não dá.

— O que foi?

— Tenho claustrofobia.

Batidas mais firmes na porta e a voz novamente:

— Neima!

Rogenildo:

— Tenho uma idéia.

— Ai, qual!?

— Você se esconde no armário.

— E você!?

— Eu vou deitar na cama.

— Você tá louco!?

Sem que pudessem discutir mais. E sem que Neima pudesse entender a lógica da ação de Rogenildo, a porta abre. Neima então é empurrada para dentro do armário. Rogenildo, por sua vez, se joga na cama apressado. Pega do cigarro e põe-se a fumá-lo.

— Neima, eu encontrei uma cópia da chave no va…! O que é isso!?

— Como, “que isso”?

— O que você está fazendo na minha cama!?

— Hildo! O que está acontecendo com você?

— Cadê a Neima?

— Mas que Neima? Hildo, a gente não tinha combinado que nos encontraríamos aqui, já que a sua esposa tinha ido viajar?

— Como!? Você tá louco! – Diz Hildo, que começa a ouvir barulhos estranhos, vindos do armário.

— Quem tá no armário?

— Armário? O que tem o armário?

Hildo abre a porta do armário e se depara com Neima, seminua.

— Neima?

— Hildo!

— Hildo! – fala Rogenildo, tentando outra tática — Hildo, quem é essa mulher no armário? Quero explicações agora!

— Ma-mas…o que está acontecendo aqui!?

— Hildo, você estava me traindo com ela?

Hildo fica parado, perplexo, sem reação. Não sabe o que dizer diante do inusitado. Fica em silêncio por alguns instantes. Será que havia perdido a memória e realmente tinha um caso com o homem que estava deitado em sua cama?, ou estava sendo alvo de uma armação?

— O que você faz dentro do armário, Neima?

— Eu?

— Hildo, e então? Quem é essa mulher?

— Ora, quem é essa mulher! Essa mulher é minha esposa!

— Você estava me traindo com sua própria esposa!?

— Calem a boca os dois! — Hildo tira um revólver de dentro do paletó — Quem é esse cara, Neima!? Você estava deitada com ele!?

— Hildo, eu posso explicar…

— Desculpa Neima, não deu certo!…

— Entendi tudo. Estavam querendo me confundir. Sim, é isso. Mas o meu revólver não se confunde!

— Hildo não faça isso!

— É! Ouça sua esposa!

— Levanta da cama!

Rogenildo levanta. Hildo aponta o revólver para a sua cabeça. Neima olha a cena assustada. Rogenildo:

— Neima?

— Que foi!?

— (…) Quantos andares você disse que tinha mesmo?

TRAÍDA

28/05/2009

— Querida, cheguei!

— Mauro, você está me traindo?

— Nossa, que recepção…

— Não mude de assunto. Fala, vai. Você está me traindo?

— Eu?

— Tem alguém mais nessa sala?

— O cachorro.

— Pára de palhaçada, você está me traindo? Sim ou não? Tá saindo com outra, dormindo com alguém, hein? Responda logo!

— Então pare de perguntar!

— Ah…então é verdade…

— Eu não disse nada.

— Por isso mesmo, quem cala consente!

— Mas eu estou conversando contigo Vilma, o que deu em você?

— O que é isso na sua mão?

— É meu paletó.

— E embaixo do paletó.

— Minha gravata.

— E embaixo da gravata?

— Minha mão.

— Estava no motel?

— Vilma!

— Mauro! Pra quê vir pelado pra casa? Alguma apresentação carnavalesca? Você estava com outra no motel, eu sei.

— Vilma, você já foi ali fora? Tá um calorão, e eu tirei o paletó e a gravata porque não agüentava mais!

— Não agüentava mais a roupa ou eu?

— Vilma, você está indo longe de mais. Eu vou falar uma vez só: eu não te traí, nunca te traí e jamais te trairei. Se você tocar nesse assunto mais uma vez, eu vou embora.

— Mas, mas…

— O que?

— A Marinalda…

— O que tem a Marinalda? É ela que tá colocando minhoca na tua cabeça?

— Não, é que, sei lá. Ela já foi traída…

— E o que tem? Azar o dela.

— A Diva também…

— Pois então, analise. Você tem de agradecer o marido que tem.

— É, mas…

— Mas o que?

— Até a Malha, sabe, já foi traída…

— Onde você está querendo chegar, Vilma?

— Mauro, veja bem, todas as minhas melhores amigas já foram traídas.

— Impressionante! Mas não se preocupe, isso não vai acontecer com você, eu prometo. Agora me dê um beijo que eu vou tomar um banho e depois dormir, tá bom?

— Mauro, Mauro, espere! Você não está entendendo…

— Claro que eu estou, Vilma.

— Como eu vou encarar as minhas amigas?

— Não estou entendendo.

— É que eu disse que…que hoje seria o dia da minha traição. Eu disse a elas que de hoje você não escapava. Mauro, compreenda, eu sou a única do nosso clube de amigas que ainda não foi traída pelo marido!

— Ãhn? Olha, estou pasmo! Você quer que eu diga que te traí, só para satisfazer o seu, o seu… ego sociável!?

— Humm…é… é, acho que é isso mesmo. Mas não fique bravo comigo…

— Oquei, Vilma, eu te traí.

— Com quem?

— Humm, vejamos, com uma amiga sua.

— A Lucimara?

— É, essa mesmo.

— Mauro, como você pôde?

— Pronto? Posso ir tomar…

— Shii!!!! Não fale mais nada, seu canalha!

— Vilma…

— Mauro, sabe o que isso significa, sabe? Não, não sabe! É o fim, Mauro. Não sou como as minhas amigas que aturaram as desfeitas dos maridos. Eu sou diferente!

— …Eu…

— Mauro, Mauro, qui..quieto!! A-ca-bou…Fui clara?

Vilma foi para a casa dos pais. Pediu o divórcio. Terminou com o casamento de vinte e tantos anos. Mauro, por sua vez, acabou por processar o Clube das Desquitadas — do qual Vilma fazia parte, antes mesmo de se separar — por danos morais e indícios fortíssimos de formação de quadrilha.

O BRIÓI

28/05/2009

Mariazinha era apaixonada pelo Briói. Era apaixonada por sua inteligência e as suas aventuras, relatadas com requinte, como um lorde, como alguém realmente inteligente. Que de fato viveu essas aventuras.

Briói esteve no Ártico. Trabalhou em navios noruegueses pescando muito bacalhau. Trouxe vários exemplares devidamente registrados e congelados. Trouxe a cabeça de um Cod Gadus Morhua, tão grande que parecia a de um tubarão.

“Ah, a Europa… Da futilidade das conveniências inglesas, a inquietude gritante de um quadro de Rembrandt no Louvre…”

A Mariazinha não entendia nada, mas suspirava imaginando-o percorrendo a Europa, em especial os Estados Unidos.

– Estados Unidos? Mas os Estados Unidos não fica na Europa. Aliás, quando estive em solo americano fiz uma pesquisa a respeito dos traços peculiares dos povos anglicanos e…

Ahh… mais um suspiro de Mariazinha. Seu sonho era casar com Briói. Cerca de oito meses, e centenas de afagos depois, o laço do matrimônio acabou enrolando os dois.

A jovem moça contava a todas as outras da comunidade que estava ao lado da pessoa mais inteligente que já tivera a seu lado. Da mente mais brilhante que já cruzara Cruz do Meio, interior de Santa Catarina, ou do lugar que você quiser que seja.

Embora houvesse uma admiração de toda a comunidade pelo Briói, a própria começava a desconfiar do forasteiro, de suas aventuras e, principalmente, de suas intenções. Estava casado há quase dois anos, o mesmo tempo em que perambulava pela região sem emprego e vivendo da renda da Mariazinha, que ganhou uma generosa herança do tio Astolfo. Aquele, do bingo.

Paulo da Farmácia foi o primeiro a cantar a pedra:

            Eu acho que esse cara é o maior falcatrua. Diz que sabe das coisas, que esteve em mil lugares, mas acho que é tudo Google. Pesquisa, e deu…

Oceano, dono da peixaria, também contribuiu:

            Mar da Noruega? Navio pesqueiro? Eu que trabalho com peixe há 20 anos, nunca vi uma cabeça de bacalhau!

A única pessoa que não tecia comentários nesse sentido era a Mariazinha. E a cada dia que passava se encantava ainda mais com a suposta sabedoria de Briói.

            Aquela inteligência… Aquela cabeça dele…

Mariazinha se derretia e passava alguns momentos do seu dia admirando o seu marido. Por alguma razão especial, do pescoço para cima.

            Xero.

            Oi.

            Eu queria ter só a sua cabeça para cuidar. Eu a enrolaria em um manto e a levaria por onde eu fosse.

            Mariazinha, você ouviu mais alguém comentando de minha pessoa por aí? Estive pensando em nos mudarmos.

            Pros Estados Unidos?

            Bem, eu pensei em Cruz do Alto, só pra dar uma refrescada na cabeça.

            Na cabeça…

Mariazinha vivia num mundo paralelo quando contemplava Briói. Não era um marido, era um deus. Foi ao céu quando ele colocou a cabeça no seu colo.

            Mariazinha, você acha que estou casado com você só pelo seu dinheiro?

Ela balançou o rosto como quem diz “não tô nem aí” e pousou as mãos nos cabelos de Briói. Fios grossos como linhas, em que ela mergulhava os dedos, da nuca até a testa.

Briói falou durante toda a noite com planos de sacar o dinheiro da poupança de Mariazinha e os dois irem para a Europa. Quem sabe até pros Estados Unidos. Falou e falou até adormecer no colo de sua esposa.

No outro dia, o Amílcar que trabalha no cartório levantou cedo e resolveu desmascarar tudo. Bateu na porta da casa e foi logo disparando:

            O seu nome é Heleno da Silva Querubim! Morou em Pedra Redonda quase a vida inteira. Te apelidaram de Briói porque vivia na BR101 pedindo carona. Descobri tudo com o Vieira, pelo MSN.

Depois deste dia, Heleno, ou Briói (o juntamento das letras e números da rodovia), não saiu mais de casa. A Mariazinha nem se importou, porque daí teria o tempo todo para ficar acariciando a cabeça de seu esposo.

            Xero, acho melhor a gente ir embora dessa cidade.

            Sim.

            Vamos para os exterior.

            Sim.

            Temos que antes passar em Florianópolis e dar entrada nos vistos.

            Sim.

            Eu quero ficar com você o resto da minha vida.

            E eu quero ficar com a sua cabeça pro resto da minha.

Mariazinha foi presa no aeroporto, tentando embarcar para os Estados Unidos. Estava com a roupa do corpo e uma caixa.

Perguntada se aquela era a cabeça do seu marido, ela piscou os olhos e suspirou.

Pra quê ser assim, Rosalva?

27/05/2009

Detesto essas liberdades que as visitas deliberam. Principalmente quando ouvem aquela malfadada expressão “sinta-se em casa” e a levam ao pé da letra. Vão nos quartos, mexem nas gavetas. Vão na cozinha, fuçam na geladeira. Reviram a estante e encontram o rascunho do meu futuro possível livro.

– Você está escrevendo um livro?

– Não, é meu balancete de despesas mensais. Dá aqui!

– Não é não, seu bobo… Esse seu balancete tem muitas letras pro meu gosto.

– Faço introduções longas.

– Mentiroso.

– Por favor, devolve.

– Por que todo cara de talento esconde as coisas que faz?

– Porque as pessoas tendem a fazer comparações. Sempre, aliás.

– Ai, pronto. Parece meu pai reclamando.

– Devolve, Rosalva. Ou então eu…

 
Rosalva é um nome que dá tesão até de pronunciar. A gente começa abrindo a boca pra fazer o “ro”, mexe todo o maxilar e a língua vai parar no céu da boca com o “zal”, e, por fim, os lábios se unem para cuspir a última sílaba, já mandando realmente tirar a roupa nesse “va”. Se isso não for erótico, ao menos serve de massagem facial. Rosalva! Se não fosse tão metida, eu e ela já teríamos, sei lá, fornicado.

 – Se eu não devolver, você faz o quê?

– Faço um macarrão instantâneo enquanto isso.

– Você não sabe cozinhar outra coisa?

– Requento que é uma maravilha.

Não adianta discutir com mulher. É melhor deixá-la fazer o que quiser. O tédio e a mudança de opiniões no lado feminino vêm mais ligeiro. Passei a defender essa tese depois que meu casamento durou quatro meses.

E a Rosalva era assim: iria ler, se aborrecer e voltar a falar de qualquer outra coisa comigo. Ou então mudar de opinião e resolver fazer as temidas comparações que odeio, detesto, tenho pavor e derivados. Era tão fácil ela apenas dizer “vamo pro quarto”, “que calor”, “o que é esse auto-relevo na sua calça de veludo?”, “deixa eu segurar isso aí”, e crau.

– Você tem um estilo de alguém que conheço.

– Ihhhhh! Lá vem.

– Pera, deixa eu pensar… Ah, já sei: é o Luis Fernando Verissimo escrito.

– Já me disseram que eu era um Scliar, só que nos aspirantes.

– Hum… pensando melhor, Kafka! Você parece o Kafka!

– Concordo que já acordei estranho, mas o mais próximo disso foi uma ressaca.

– Humm… Um pouco de Guimarães Rosa nos personagens.

– Ele era um rural ortodoxo. Eu sou rural também, mas mais liberal.

– Putz, da linhagem do MST?

– MSG.

– Ãhn?

– Movimento dos sem gramática.

 

(…)

 

– Rá!

– Muito engraçadinho, macaco simão.

– Sei que não sou engraçado e não faço esforço nenhum para parecer.

– Você tem uma cabeça boa.

– Ah, é?

– Boa para dar um derrame.

– Obrigado, Edgard Allan Poe fêmea.

– Tá, peraí! Peraí. Falando sério. Deixa eu analisar melhor… Bem, com os tiros, as trepadas e as mortes, eu diria que o Rubem Fonseca está bem representado.

– Não é bem assim, me preocupo com os leitores mais sensíveis. Não quero ninguém deprimido.

– Lya Luft.

– Pára! Também não é isso. Tenho meus métodos narrativos pra chegar onde eu quero.

– Ah-rá! Aquele pessoal do O Segredo!

 

Aquela conversa estava tomando um rumo muito chato. Bem o que eu temia. Quando chega nesse ponto do abuso gratuito, eu costumo ser grosso e arremesso a primeira enciclopédia que encontro. Já falei, se ela fosse mais superficial e dissesse “quero que você examine uma coceirinha que tá me dando na virilha”, isso, assim e só, nossa relação seria muito mais harmônica.

Pra quê ser assim, Rosalva? Por que não é apenas uma dessas moças gostosas, de ancas largas, coxas grossas, seios fartos, lábios carnudos e vácuo no crânio? Ela é tudo isso, só que metida a intelectual. E tem hora que a gente não agüenta, mesmo.

– Vamos pra cama que eu te conto o meu “segredo”.

Passou-se vinte e poucos minutos de um rala-e-rola contagiante em que discurso nenhum tinha vez naquele espaço, a não ser alguns desabafos sem significações necessárias e de entendimento que é universal: AH, UH, OH, UH!

Extasiado e de cabeça vazia, virei pro lado.

– Vai, conta esse teu segredo.

“Que perseguição!”, pensei gritando. Só me relaciono com mulheres que lêem resumos de vestibulares e respondem a questionários da Capricho.

– Eu não tenho estilo nenhum!

Ah! Eu sabia: é o Millôr.

Fuck!